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quarta-feira, 1 de junho de 2016

Congresso aprova deficit de R$ 170 bilhões: como governo atingiu rombo recorde?


May 25, 2016
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bbc brasil

O governo brasileiro caminha oficialmente para fechar 2016 com o terceiro rombo anual seguido em suas contas. Isso porque o Congresso Nacional aprovou nesta quarta-feira a nova meta fiscal: um deficit primário recorde de R$ 170,5 bilhões.
Na tentativa de reverter esse quadro, o presidente interino Michel Temer anunciou que proporá ao Legislativo uma alteração na Constituição para criar um teto para o crescimento dos gastos.
A ideia é que o aumento fique limitado à inflação do ano anterior, restringindo inclusive a expansão dos gastos com saúde e educação.
Outras medidas impopulares também estão em discussão, como aumento de impostos e reforma da previdência.
"As despesas do setor público estão em trajetória insustentável. Lá na frente, vamos condenar o povo à dificuldade extraordinária", argumentou Temer.
Os resultados negativos que começaram a ser registrados a partir de 2014 interromperam 16 anos de saldos positivos nas contas federais. Mas, afinal, como chegamos a esse rombo recorde? E qual o problema dessa resultado?
A BBC Brasil conversou com três especialistas em contas públicas para responder essas perguntas:

Primeiro, o que é o resultado primário?

O resultado primário é a diferença entre receitas e despesas do governo, excluindo do cálculo os ganhos e gastos com juros - ou seja, sem contar o que a União paga por empréstimos que contraiu no mercado e o que recebe pelo dinheiro que emprestou (financiamentos à agricultura, a estudantes, a microempresas, etc.).
A maior parte da receita primária é arrecadada com impostos. Já as despesas incluem gastos com aposentadorias, benefícios sociais, salários dos servidores, obras de infraestrutura e funcionamento dos serviços públicos em geral (hospitais, universidades, embaixadas, etc.).
O principal objetivo de ter saldo positivo (superavit primário) é pagar juros da dívida pública, evitando seu crescimento descontrolado. Quando isso acontece, aumenta a desconfiança dos credores quanto ao pagamento futuro da dívida, levando a uma alta dos juros cobrados para financiar o Estado e criando um ciclo insustentável no longo prazo.

Além disso, a busca do superavit contribui para manter a inflação baixa, ao limitar os gastos públicos. Quanto mais o governo consome bens e serviços, mais pressiona os preços para cima.

Como chegamos ao rombo recorde?

Objetivamente, a expectativa de deficit de R$ 170,5 bilhões é resultado da queda das receitas e do aumento contínuo das despesas (entenda abaixo porque isso está acontecendo).
Além disso, alguns economistas também consideram que a falta de transparência na gestão das contas públicas contribuiu para armar uma série de "bombas fiscais" que estão explodindo agora.

Receitas em queda

Após anos seguidos de elevação expressiva, desde 2011 as receitas primárias do governo federal apresentam baixo crescimento ou queda real.
Isso é consequência de dois fatores. De um lado, o desempenho ruim da economia nos últimos anos teve impacto direto na arrecadação, já que boa parte dos impostos brasileiros são cobrados sobre a produção industrial e o comércio.
Com menos produção e menos vendas, consequentemente se arrecada menos.
"Essa tendência de queda (do PIB) tem impacto muito grande nas receitas. E a expectativa é de nova retração da economia em 2016", resume o professor de economia da UnB Jorge Arbache.

Diante desse cenário, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, anunciou na última sexta que o governo estava reduzindo sua previsão de receita líquida (descontada as transferências obrigatórias para Estados e municípios) em 2016 para R$ 1,078 trilhão, uma queda de R$ 108 bilhões ante a última previsão do governo Dilma - "superestimada", segundo ele.
De outro lado, o segundo fator que explica as perdas de arrecadação foi o volume elevado de desonerações adotado nos últimos anos, observa Maria Liz Roarelli, consultora legislativa na área de Orçamento do Senado.
Desde a crise financeira mundial de 2008/2009, o governo petista concedeu uma série de cortes de impostos, principalmente ao setor industrial, na expectativa de que esses recursos que não estariam sendo pagos ao governo fossem usados para investir no aumento da produção.
A lógica era simples: em um primeiro momento, o governo arrecadaria menos. No entanto, com o aumento da produção e das vendas, em um segundo momento a arrecadação cresceria.

Os investimentos, porém, acabaram não acontecendo, e o governo ficou só com as perdas. Roarelli calcula que a soma das desonerações concedidas entre 2010 e 2014 significou menos R$ 101 bilhões nos cofres em 2015.
"Essas desonerações não surtiram qualquer efeito. Foi um gasto sem retorno. Um modelo ingênuo de recuperar a economia", nota ela.
Nesse contexto, alguns economistas, como o diretor executivo para o Brasil do FMI (Fundo Monetário Internacional), Otaviano Canuto, consideram que a criação de novos impostos não representaria um aumento de carga tributária, mas sua "recomposição".
No momento, o governo estuda recriar a CPMF (imposto sobre transações financeiras) ou elevar a Cide (contribuição sobre combustíveis). Há também quem defenda taxar lucros e dividendos de acionistas de empresas, mas o governo não sinalizou apoio a essa proposta.

Despesas em alta

Nos últimos anos, o governo vem anunciando sucessivos cortes de gastos.
Na prática, porém, a despesa total segue crescendo. Isso acontece porque, embora a gestão tenha reduzido algumas rubricas - como investimentos em infraestrutura -, despesas obrigatórias, que só podem ser cortadas com autorização do Congresso, continuam aumentando automaticamente.
Dentro desse grupo de gastos que não podem ser cortados livremente pelo governo, a maior parte da despesa vem da Previdência Social. Aposentadorias e pensões consumiram no ano passado R$ 436,1 bilhões, representando quase a metade do total de despesas obrigatórias (R$ 905 bilhões).
Esses gastos vêm crescendo continuamente, refletindo o envelhecimento da população e também a decisão dos governos Lula e Dilma de atrelar o piso da previdência ao salário mínimo (que tem sido reajustado acima da inflação).
Em dez anos, o crescimento acumulado do gasto com aposentadorias e pensões chega a 199% (cerca de 70% se descontada a inflação do período).


"A despesa com previdência e outros benefícios sociais só faz crescer e muito rapidamente", nota Arbache, em referência também à garantia de um salário mínimo por mês para pessoas sem condições de trabalhar, seja por deficiência ou idade avançada (BPC/LOAS).
A segunda categoria de gasto com maior peso entre as despesas obrigatórias são os salários dos servidores que, na avaliação do professor da UnB, tiveram aumentos "substanciais" nos últimos anos. Na última década, a alta acumulada dos gastos da União com pessoal é de 157% (aumento real de quase 50%).
Além disso, na sua avaliação, o governo também criou muitos programas nos últimos anos, sem avaliar adequadamente a sua eficiência.
Os gastos com saúde e educação, por sua vez, crescem todo ano automaticamente, seguindo parâmetros previstos na Constituição.

Falta de transparência

Para o pesquisador do IBRE/FGV José Roberto Afonso, um terceiro fator contribui para a o rombo recorde previsto para 2016: a falta de transparência fiscal do governo.
"Anos e anos de descumprimento das regras fiscais e desprezo pela transparência, inclusive para debater os problemas, explicam o rombo. Muito desse deficit não será deste ano, mas sim resultado de compromissos assumidos no passado e que, de alguma forma, foram escondidos ou postergados. Os economistas chamam de riscos fiscais", explica.
Um desses riscos, exemplifica Afonso, é a provável necessidade de a União injetar recursos em estatais que enfrentam dificuldade financeira, como Eletrobras e Petrobras.
O pesquisador defende a formação de uma "comissão da verdade fiscal" com especialistas da academia, que trabalhariam junto a órgãos de controle (CGU e TCU). O objetivo seria fazer um diagnóstico dos problemas e apresentar soluções.
"Não basta punir quem errou, é urgente mudar as regras que permitiram tais erros. É preciso refundar a LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal), ou seja, mudar dezenas de seus dispositivos, para aperfeiçoá-la e endurecê-la", defende.

Por que a China se viu obrigada a negar que venda carne humana


May 25, 2016
|
BBC Brasil

  • 24 maio 2016

Image copyrightEPA

"É uma acusação totalmente maldosa, vil e inaceitável para nós."
Foi com essas palavras - pouco ouvidas no mundo da diplomacia - que o Ministério das Relações Exteriores da China, através da figura do seu embaixador na Zâmbia, reagiu à onda de notícias e comentários em redes sociais sobre acusações de que a China exporta carne humana para a África - na forma de carne enlatada.
A imprensa estatal chinesa responsabiliza tabloides da Zâmbia pela divulgação dos rumores, dizendo que "pessoas com motivos espúrios tentam destruir a arraigada cooperação entre Zâmbia e China."
Polêmica
Os rumores vieram de um jornal do país africano. A publicação cita uma mulher zambiana que trabalha em uma fábrica de processamento de carnes na China, cujo nome não foi divulgado.
Essa mulher alerta consumidores africanos a deixarem de comprar carne enlatada (chamada "corned beef") da China. O "corned beef" é um tipo de carne de vaca cozida tratada com salmoura.
A entrevistada assegura ao jornal que empresas chinesas recolhem cadáveres para usar a carne em produtos enlatados para o mercado africano.
Image copyrightTHINKSTOCK
Image captionA informação divulgada no jornal da Zâmbia se referia ao 'corned beef', um tipo de carne enlatada
Na reportagem do diário zambiano, outras pessoas afirmam que o uso de carne humano se difundiu "porque a China reserva a carne de melhor qualidade para mercados de países poderosos".

Insatisfação

O embaixador Youming solicitou ao governo da Zâmbia que investigue o tabloide em questão "para limpar o nome do povo chinês".
As fotos que circularam nas redes sociais e que mostrariam a "carne humana", segundo os rumores, seriam imagens criadas para uma campanha publicitária de um jogo de computador, segundo o site Snopes.com, que se dedica a investigar rumores que circulam pela internet.
O vice-ministro da Defesa da Zâmbia, Christopher Mulenga, disse, por sua vez, que as autoridades do país investigarão as fontes que originaram a notícia e "lamentou o incidente".
"O governo da Zâmbia lamenta esse incidente, levando em consideração a estreita relação que existe entre nosso país e a China", pontuou.
A China financia projetos de infraestrutura importantes na Zâmbia em troca de recursos naturais do país africano.
Image copyrightAFP
Image captionCarne estragada é retirada de um comércio na província de Fujian
Mas o poderio chinês na economia da Zâmbia também tem gerado insatisfação da população local, segundo a imprensa zambiana.
Alguns trabalhadores acusaram empresas chinesas de não zelarem pela segurança dos trabalhadores africanos e de pagar salários muito baixos.
O investimento chinês na África entre 2005 e 2014 chegou a aproximadamente US$ 32 bilhões (R$ 114,6 milhões), segundo cifras divulgadas pelo Ministério do Comércio da China e citadas pela revista The Economist.

Escândalos

A China se viu envolvida em uma série de escândalos relacionados a segurança alimentar nos últimos anos.
Em 2015, a imprensa chinesa anunciou o confisco de mais de 100 mil toneladas de carne contrabandeada - boa parte dela tinha sido congelada havia mais de 40 anos.
O escândalo do leite em pó contaminado com substância química melanina teve grande repercussão em 2008 - assim como a prisão de pessoas que vendiam de carne de rato como sendo carne de carneiro.
Em 2014, um repórter chinês filmou trabalhadores de uma processadora manipulando carne sem nenhuma condição de higiene.
Image copyrightGETTY IMAGES
Image captionUma fábrica da empresa Husi Food foi alvo de polêmica pela maneira como processava a carne
A gravação mostrava os empregados da produtora Husi Food em Xangai, subsidiária do Grupo OSI com sede nos Estados Unidos, cortando carne sem luvas e pegando pedaços do chão, enquanto reclamavam que o produto cheirava "podre".
A fábrica em questão era até então uma das fornecedoras da rede McDonald's, que tem mais de 2 mil restaurantes na China.
As autoridades municipais de Xangai investigaram a fábrica e encontraram milhares de produtos vencidos reempacotados com novas datas de validade.